Prefeitura decide permitir exploração de publicidade na orla da praia.
Alessio Venturelli - Da Redação.
A concessão de espaços públicos localizados na faixa de areia das praias de Guarujá voltou a ser tema de polêmica na Cidade. Sem fazer licitação, conforme determinam as leis municipais 1.815/1986 e 2.557/1997, e sem autorização da Secretaria de Patrimônios da União (SPU), a Prefeitura de Guarujá decidiu, mesmo assim, permitir a exploração, para fins publicitários, de toda a extensão que compreende a orla das praias do Guaiuba, Tombo, Astúrias, Pitangueiras, Enseada e Pernambuco, incluindo quiosques, tótens e back ligths existentes.
Essa atividade ficará a cargo de uma agência de comunicação, chamada Front 360. A empresa terá liberdade para divulgar a marca de produtos e empresas vinculadas a ela, em mesas, cadeiras, guarda-sóis e demais equipamentos que vierem a ser instalados ao longo da extensão de faixa de areia delimitada acima.
O decreto (n 8.792) permitindo a utilização dessas áreas foi publicado no último dia 23, pela prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB), e já vem sendo questionado por setores que fazem oposição à atual chefe do Executivo. “A meu ver, isso é uma imoralidade absoluta”, avaliou o vereador oposicionista Luís Carlos Romazzini (PT).
Ele promete apresentar um requerimento cobrando explicações da atual chefe do Executivo, na sessão legislativa da próxima terça-feira. Além de questionar o fato de a medida não ter tido o aval da SPU, o petista quer esclarecimentos sobre contratos que foram firmados recentemente entre a Front 360 e cerca de 80 quiosqueiros da Praia da Enseada, para a exploração publicitária dos boxes, nesta temporada. “Neste final de semana, tivemos acontecimentos que acabaram na Delegacia Sede do Município, com a lavratura de dois boletins de ocorrência”, chamou atenção o vereador.
Ele contou que pessoas, supostamente ligadas à Front 360, foram detidas, nas imediações do Casa Grande Hotel, ao serem flagradas promovendo a distribuição de cheques, no valor de R$ 2 mil (emitidos pela empresa CRF Eventos, parceira da Front 360).
Os cheques teriam sido entregues a quiosqueiros que permitissem a colocação de propagandas (da Nestlé e da Itaipava) em suas estruturas. “Isso, por si só, já nos traz inúmeras dúvidas, com relação a uma possível fraude fiscal, e quanto à real destinação dos quiosques (que será dada pela empresa)”, apontou o petista.
Diferenças
Romazzini também disse estranhar o fato de a Administração Municipal ter autorizado somente a Front 360 a explorar o mercado publicitário na orla das praias da Cidade. “Inúmeros empresários possuidores de casas noturnas e agências de propaganda que atuam no meio procuraram a Prefeitura no sentido de explorarem conjuntamente a orla e não foram sequer atendidos pela atual Administração”, acusou ele, que quer saber o que motiva tratamento tão diferenciado dispensado à Front 360.
Ele lembrou ainda que a agência em questão (juntamente com a CRF Eventos) figura como uma das organizadoras do show da cantora Ivete Sangallo, que seria realizado em janeiro deste ano na Cidade mas foi cancelado em virtude de um vendaval.
“Ao que se sabe, até o presente momento, (eles) não devolveram os valores dos ingressos pagos”, observou ele, que disse não entender o que credencia a Front 360 a ser novamente beneficiada com a concessão dada pela Prefeitura. A Prefeitura e a SPU foram procuradas, mas não se manifestaram sobre o caso.