A Cidade declarou guerra aos moradores de rua com a Tolerância Zero (TZ), operação iniciada sem alarde pela Secretaria de Ação Social (Seas). Nela, agentes sociais realizam abordagens a essa população acompanhados pela Polícia Militar.
Num único dia deste mês, foram despachadas para outros municípios 30 pessoas. Outras, após pesquisa sobre seus antecedentes, foram encaminhadas às delegacias dos bairros onde são abordadas.
O secretário de Ação Social, Carlos Teixeira Filho, afirma que são recolhidas (forçosamente) apenas pessoas com alguma pendência judicial de natureza criminal.
Outros ocupantes de vias públicas são convidados a ganhar passagem e ir embora da Cidade quando não comprovam o nascimento ou vínculo com o Município.
“São pessoas que vêm para cá com recursos próprios ou encaminhadas por outras cidades”, disse Teixeira, sobre guardadores de veículos e outros que vivem nos jardins da orla e pontos diversos da Cidade.
A presença de “forasteiros” nos jardins santistas é a que mais gera reclamações. Numa carta endereçada a todos os vereadores, um morador da Ponta da Praia exaltou os parlamentares a tomar alguma atitude contra aqueles que incomodam o passeio dos cidadãos pagadores de impostos.
Teixeira é enfático sobre parcela das centenas de moradores que ficam nas ruas. “São pessoas que não querem o atendimento social”, garante.
A TZ teve início em meados de novembro após uma reunião do secretário com o comando da Guarda Municipal e o da Polícia Militar em Santos. Desde então, duas vezes por semana, em média, uma viatura da PM acompanha os educadores de rua no diálogo com a população que está nas ruas. E tentam reabilitá-los.
Números
Os números de atendimentos do mês dezembro ainda não foram fechados pelos técnicos da Seas. Os de novembro computaram 1,9 mil. Quase três quartos dos atendidos, ou 1.465, eram homens. Os 455 restantes, mulheres.
Entre esses atendimentos estão os que foram enviados a outras cidades com passagens pagas pelo serviço social: 297. Desses, 141 foram para a Capital e 156 para outras cidades.
Os remetidos representariam 58% dos moradores de rua, albergados ou não, conforme o sugerido pelo último censo da Seas, de julho, que contou 507 pessoas – 20,5% santistas e a maioria (54,9%) com 30 a 49 anos de idade.
Desemprego, problemas familiares, alcoolismo/drogas e perda de moradia foram respostas para a condição. A maior parte (28,6% sobrevivem como catador).