O mais antigo habitante de São Paulo até agora conhecido é o Homem de Maratuá. Ele viveu em uma pequena ilha guarujaense, há cerca de oito mil anos, e era antropófago. É o que consta em estudo feito na década de 50 pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo ( USP).
O estudo da USP afirma que os sambaquis (são depósitos antiqüíssimos, formados por conchas e utensílios, indicativos da presença de humanos) de Maratuá, Mar Casado e Buracão estavam em pequenas ilhas separadas por braços de mar provavelmente habitados por tribos segregadas e hostis.
Em Maratuá, foram encontradas agulhas, indicativo que o homem primitivo usava linha, embora não se saiba o tipo de tecido utilizado.
Para a arqueóloga Dorath Uchoa, com mais de 30 anos em pesquisas, a alimentação do homem primitivo da região era de peixes, moluscos e caça de médio e pequeno porte.
No Mar Casado, foram encontrados indícios de antropofagia, com ossos humanos muito fragmentados, misturados com restos de peixes, carvão e cinzas, com sinais de haverem sido raspados ou mordidos.
Ainda de acordo com os pesquisadores acredita-se que exista no Litoral Paulista cerca de 300 sambaquis, porém centenas deles foram destruídos até o século XIX pois, eram utilizados nas construções de igrejas, tanto no litoral como no interior.
Esta pesquisa mostra indícios de que há sete ou oito mil anos, haviam duas ilhas diferentes do chamado paleo-arquipélago santista que se ligaram por sedimentação.
Fonte: Jornal Travessia 11 em 17 de junho de 2000. |